Após retirada de bala, Rosileide Oliveira deve operar joelho na quarta.
Ela teria sabido de suicídio de Davi por parentes; polícia apura tiro acidental.

passar por nova cirurgia na quarta-feira (28)
no HC em São Paulo
(Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)
A Polícia Civil ainda não sabe por que Davi Mota Nogueira, de 10 anos, atirou na pedagoga e se suicidou. Ele era tido como bom aluno e nunca havia apresentado problemas. A investigação apura as hipóteses de tiro acidental, bullying e supostas ameaças para explicar a motivação do crime.
A previsão é que Rosileide tenha o joelho esquerdo operado na quarta-feira (28) pela equipe de ortopedia do HC. Quando foi atingida no quadril pelo disparo, ela caiu e fraturou a patela do joelho, que foi imobilizada no dia e agora terá de ser fixada. Atualmente, Rosileide está internada em observação num quarto do hospital. Ela se recupera da cirurgia que retirou a bala que a feriu. Seu estado de saúde é estável. Ela não corre risco de morrer. Não há previsão de alta de quando será o dia que ela deixará o hospital.
Segundo funcionários do hospital ouvidos pelo G1, Rosileide soube da morte de Davi na segunda-feira (26). Depois de ter visto um noticiário na TV sobre o caso, ela teria sido avisada por seus familiares que o estudante da 4ª série do ensino fundamental se matou. A equipe de reportagem não conseguiu localizar os familiares da educadora para confirmar a informação
Depoimento da professoraA previsão da delegada Lucy Fernandes, titular do 3º Distrito Policial de São Caetano, é ouvir o depoimento da professora por volta das 10h de quinta-feira (29) dentro do HC, na capital paulista. A investigação quer saber se a pedagoga sofreu alguma ameaça de Davi. O namorado de Rosileide, o funcionário público Luiz Eduardo Hayakawa, chegou a dizer à imprensa que nunca houve queixa dela contra o aluno.
Apesar disso, outros alunos chegaram a afirmar a psicólogos que estão prestando atendimento na escola e a funcionários da unidade educacional que Davi havia prometido matar a professora e se matar em seguida, o que levaria a hipótese de o crime ter sido premeditado.
Tiro acidentalMas após depoimentos da diretora da escola, Márcia Gallo, essa tese de crime premeditado perdeu força. Também é investigada a hipótese de tiro acidental. Ela afirmou à polícia que uma psicóloga lhe contou que um aluno confirmou que Davi queria dar um susto na professora, mas que a brincadeira saiu errada e ele acabou se matando com medo das consequências que sofreria dos pais.
Essa psicóloga e mais cinco alunos, incluindo o que teria contado sobre a brincadeira que deu errado, serão ouvidos pela delegada na própria escola durante a tarde de quarta. A psicóloga integra a equipe de especialistas mantidos na unidade para atender os alunos, seus pais e funcionários.
“Seria a hipótese mais plausível, por se tratar de um bom menino, sem problema com a professora. Dá a impressão de que o tiro pode ter sido acidental”, disse a delegada Lucy em entrevista coletiva na segunda. Ela quer traçar um perfil psicológico do aluno. Um desenho que ele fez segurando duas armas ao lado de um professor é analisado.
Segundo Lucy, os depoimentos ouvidos até agora reforçam a ideia do bom comportamento de Davi. "Não trabalho com a possibilidade de bullying ou que ele tenha sido vítima de outro tipo de violência", afirmou.
Volta às aulas de brancoNa manhã de quarta está programada a retomada das aulas na escola Dantas Feijão em São Caetano. Os funcionários e professores estão recebendo atendimento psicológico para saber como receber os estudantes. A sala onde houve o disparo permanecerá fechada. A ideia da direção é transformar o local num espaço de leitura e reflexão de paz com livros e gravuras.
Os alunos estão se mobilizando nas redes sociais para que todos compareçam de branco e levem rosas da mesma cor para homenagear Davi na quarta.
Ainda não há informações de algo mudará em relação à segurança da escola. Em princípio não haverá mudanças. Na quinta passada, Davi havia entrado com a arma particular do seu pai escondida dentro da mochila, pediu para ir ao banheiro, retornou e disparou contra a pedagoga, que dava aula numa classe com mais de 20 alunos.
Depoimentos do pai e irmão de DaviO pai de Davi, o guarda-civil municipal Milton Nogueira, de 42 anos, e o irmão do aluno morto, de 14 anos deverão ser ouvidos pela polícia na manhã de sexta-feira (30). O depoimento deverá ocorrer no 3º Distrito Policial de São Caetano.
Milton é dono do revólver calibre 38 usado pelo filho para atirar na professora e se matar em seguida. Ele disse que guardava a arma num armário. O pai disse que havia sido a primeira vez que guardou a arma carregada com balas. Também já teria ensinado o filho a manusear a arma, explicando como fazia para tirar as balas. “Mas sempre alertei que a arma só servia para matar”, chegou a dizer Milton aos jornalistas.
Milton poderá ser responsabilizado criminalmente por negligência por não ter conseguido impedir o filho de pegar o revólver que guardava em casa. Para o pai de Davi, o que ocorreu com a professora e seu filho foi uma fatalidade. Em entrevista ao G1, o pai de Davi afirmou no domingo (25) que não tinha explicação para aquilo. "A gente nunca vai ter resposta", havia dito.g1
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