11 de dezembro de 2011

Mulher adotada procura família biológica para salvar a vida da filha


 A pequena Rayssa, de 6 anos, depende de um transplante de medula óssea. A mãe dela, o pai e parentes dele não têm a compatibilidade necessária

No pequeno quarto do hospital infantil em Florianópolis, Rosilene enfrenta mais uma internação da filha.
"A Rayssa tem o diagnóstico de uma leucemia linfoide aguda. É um câncer da medula óssea, que é a fábrica de sangue”, explica a médica oncologista Juliana Schimitz.
Rayssa depende de um transplante, mas ainda não encontrou doador. O transplante de medula exige altíssima semelhança genética entre quem vai doar e quem vai receber. A maior possibilidade de encontrar essa semelhança, chamada compatibilidade, é entre irmãos com o mesmo pai e a mesma mãe: uma em quatro chances. A possibilidade vai ficando menor quanto mais distante for o parentesco. Entre a população geral, a chance de encontrar um doador é uma em cem mil.
A mãe, Rosilene, não tem com Rayssa a compatibilidade necessária. O pai da menina e os parentes dele também não. E aqui entra um detalhe muito especial nesta história. Rosilene nasceu em 1973, em Pérola do Oeste, pequena cidade do interior do Paraná. A mãe, muito pobre, não pôde criá-la e, com poucos dias de vida, ela foi adotada por um casal vizinho que se mudava constantemente. Morou em outras cidades do Paraná, em Mato Grosso e, por fim, em Santa Catarina.
Rosilene precisa encontrar a sua família biológica. Ela deixa Rayssa no hospital de Florianópolis e parte em busca do passado. A primeira pista é o nome da mãe biológica de Rosilene, que está em uma certidão de nascimento em pedaços: Alvira Cardoso Villas Boas.
Rosilene descobre que Alvira vive agora em outra cidade do Paraná, Londrina.
Ela desembarca com um endereço anotado e muita expectativa.
"Como ela é, se é parecida, tenho curiosidade de saber se tenho outros irmãos”, diz Rosilene Ghisi.
E encontra a casa da mãe biológica em um bairro da periferia. Quando se apresenta aos irmãos que ela nunca tinha visto, o clima ainda é de frieza e distância. Rosilene, então, sobe até a varanda e fica frente a frente com Alvira, a mãe que nunca conhecera.
Rosilene: A senhora morou em Pérola do Oeste em 1973?
Mãe: Eu morei em Pérola, agora não lembro quando foi.
Rosilene: A senhora teve uma filha?
Mãe: É você.
Trinta e oito anos depois, Rosilene estava de volta. Agora é a filha de Rosilene que precisa dos cuidados da família.
“Ela está com leucemia. E eu estou precisando muito de um doador de medula óssea. Minha filha depende disso. E conhecendo a minha família biológica são mais chances de salvá-la. Por isso, eu vim procurar vocês. Se vocês concordarem em fazer um exame para saber se alguém de vocês é compatível a ela”, explica Rosilene.
Na mesma hora, toda a família começa a se mobilizar para fazer o exame de compatibilidade.
A mobilização foi bem rápida. Em poucas horas a casa ficou cheia de parentes dispostos a ajudar Rosilene.
“Todos os meus filhos estão disponíveis também, todo mundo quer abraçar essa causa”, diz Zilda Villas Boas, tia de Rayssa.
São oito irmãos de Rosilene, 17 sobrinhos e nove tios. Mais de 30 pessoas unidas, de repente, em uma causa que elas nunca imaginaram.
“Essa campanha que a gente vai fazer agora para que a filhinha dela possa vencer”, conta Nair Villas Boas, Nair Villas Boas, tia da Rayssa.
Eles sabem que a nova sobrinha tem pressa. Vão todos juntos para o hemocentro de Londrina para se cadastrar como doadores.
“Não só pra ser doador pra Rayssa, mas também para qualquer outro paciente do Brasil e de outros países também que precisam de transplante de medula óssea”, explica a médica.
As amostras de sangue já estão sendo analisadas. Se um deles tiver material semelhante ao de Rayssa, vai ser chamado para novos exames que confirmem a compatibilidade necessária para o transplante.
“A esperança é que alguém da família possa estar ajudando que ela se recupere e volte a ser a menina alegre, como a mãe dela comentou”, diz a tia Adriana Mansano.
De volta a Florianópolis, Rosilene corre para reencontrar a filha no hospital. Leva para Rayssa um pouco mais de esperança.
Os médicos ainda precisam de mais um mês para saber se alguma destas pessoas poderá ser o doador. Rayssa espera confiante.

Nenhum comentário:

Postar um comentário